sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Dona-de-casa e o dilema profissional

Ontem dei carona a um rapazinho de 22 anos, que conheço desde que ele era ainda uma criança. Ele, todo feliz, me contou as novidades. Está trabalhando em uma fábrica, saiu de casa e mora sozinho. E mais: agora ele vai casar com uma menina que namora há algum tempo.
Quando o questionei se ele não estaria precipitando as coisas, ao casar-se tão cedo e com uma pessoa que ele mal conhece, ele me olhou indignado e disse:
- Claro que não! Veja só, eu tô cansado com o trabalho, ainda tenho de chegar em casa e lavar roupa, arrumar cama, fazer comida, não tá dando!
Eu retruquei imediatamente:
- Ah! Você quer uma escrava e não uma namorada...
Ele deu risada, ficou vermelho e confirmou:
- Então, ajuda bastante né, e ainda tem como "descarregar as energias" quando chega a noite...
Ele desceu e eu fiquei pensando...
Sempre fui feminista. Defensor dos ideais femininos, critico frequentemente as posturas masculinas quando tratam a mulher como inferior, como objeto, como sexo frágil...
E continuei a pensar:
A menina com a qual este rapaz vai casar está ciente de que sua vida não será fácil. Irá lavar cuecas sujas, queimar muito feijão no fogão, ter dor nas costas de passar pano na casa e varrer, e seus dias passarão tão depressa que, quando ela perceber, estará com cabelos brancos, rugas, e sua vida se resumiu a isso. Pior: ela tem hoje o poder de decidir se quer realmente isso para sua vida, mas alega que com sua mãe foi assim, sua avó foi assim, por que com ela seria diferente?

Então me veio uma idéia contrária ao que sempre pensei: Por que tirar da agarot o sonho de se casar, ter filhos e sim, por que não, ser uma dona-de-casa feliz?




Muitas feministas irão me odiar por isso, mas uma grande parcela de mulheres não querem outra coisa a não ser ter um marido, alguém que cuide delas, ter uma casa pra cuidar, filhos pra criar, ter preocupações importantes quanto a saúde do filho, da família, programar viagens de férias para todos, fazer cursos de costura e de artesanato pra poder ter um dinheirinho extra no fim do mês e comprar alguma coisa pra casa...

Sim, feministas, há de se aceitar que existem mulheres felizes ao ganhar jogo de panelas no aniversário. Que outras adoram deixar a casa limpa e perfumada e as roupas bem cuidadas do marido e dos filhos. Que elas querem manterem a certeza de que tudo está no devido lugar por que elas estão ali, cuidando de cada detalhe pessoalmente e que sempre sonharam com o dia de se casar e de ter sua prole.

Por outro lado o marido, que também se sente orgulhoso de sustentar a família, tem alimentada a libido, o orgulho, o respeito ao seu status social como pai de família.

Havendo o devido respeito entre as partes, sem violência sobrepondo o mais forte ao mais fraco, não há de que se queixar e nem por quem brigar. Casamento é contrato mútuo, são duas mãos lavando o rosto. Se ela é feliz cuidando da casa e ele gosta que ela continue cuidadando de tudo, por que não? Por que inflamar os nervos dela dizendo que ela tem de se libertar, tirar as correntes, ter a própria vida?

Conheço também muitas feministas que se odeiam por não saber fritar um ovo, que se sentem frustradas por ter toda a responsabilidade nas costas e que não conseguem tempo para ter um filho. Pior: ainda assustam os pretendentes por terem salários altos e inibirem a masculinidade de seus raros namorados.

Já existem tantas mulheres que se dedicam à política, à ,medicina, à engenharia, ao direito, tantas mulheres pesquisadoras, dedicadas em suas profissões, por que não podem existir também as mulheres que pura e simplesmente querem uma vida aconchegante e feliz num lar que elas cuidam com tanta dedicação?

Minha mãe poderia ter sido uma brilhante profissional. Mas pela situação que se encontrava - e na época que viveu - seu maior sonho era poder criar os filhos dignamente. Casou-se de novo, e cuidou com muito esmero por décadas do seu lar. Cuidou de cada filho  sem deixar passar uma fase em branco. E hoje sente-se orgulhosa disso, não se arrepende nem sente frustrações. E ainda diz que a maior alegria dela foi ter dado a luz a cada um dos seus e ter conseguido realizar o sonho de ver cada um formado em uma faculdade.



Então minhas idéias feministas que por um momento quase me fizeram dar um sermão no rapaz, acabaram me mostrando um outro ideal feminino, numa outra realidade antiga,que até hoje perdura, e que assim vai ser por todos os caminhos da humanidade pelo simples fato de vir de dentro, de uma vontade profunda que atinge não todas,  mas uma significativa parcela de mulheres que apenas querem ter um lar, um marido e filhos.

Resumindo: Se existem mulheres decepcionadas com a vida que levaram, com o marido que as abandonou, com os filhos que acabaram se desvirtuando e pensam que podiam ter uma vida melhor independentes, com uma profissão, também há aquelas que se arrependem de terem seguido uma vida profissional e hoje estarem sozinhas, sem condições de ter um filho, e sem a menor competência para fritar um ovo no fogão.

Ou seja: A insatisfação é natural do ser humano, assim como a felicidade pode ser encontrada nos caminhos mais estranhos que possamos tomar.



Um comentário:

  1. Lindo pensamento !

    Realmente a busca da felicidade é algo que pode-se realmente afirma que é "pessoal".
    Mulheres podem ser felizes, sendo solteiras casadas, profissionais ou sendo a progenitora dedicada que cuida da casa.
    Não importa !

    Havendo respeito mútuo, o que você afirma é literalmente possível !

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